terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Flutuar não é voar...

A vida suspensa, volátil e covardemente quieta. Inquieta é a verdade sem rumo. Quem precisa de luz quando a cegueira se apresenta? A razão não enxerga vazios da alma.

Um pássaro canta na chuva e isso eu entendo. Mas não entendo a chuva querendo calar o pássaro. Não há motivo, nem há necessidade.

Considere um átomo em sua cruzada cósmica. De onde partiu ninguém sabe. Se vai chegar, espera-se. E se crê num propósito. Quem atirou o primeiro átomo a esmo? O acaso ou algum deus ingrato?

Brincadeira celestial sem fim, a vida poderia ser eterno flutuar não fosse o desejo inato de voar que sempre carreguei junto aos meus erros. Por isso asas pesadas são enfeites dispensáveis para quem rasteja.

Voar e cantar, assobiar na chuva em dias frios, celebrar vida e morte como cargas elétricas que se buscam e, desse encontro, colecionar trovões e raios - majestades sem trono que a natureza permite...

Flutuar sem rumo até que a ignorância se abstenha de causar ruídos.

E entender a diferença.

Tarefa para o recomeço: ignore o tempo.