quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Gavetas...

Modernas, antigas, limpas, bolorentas...

Digerem papéis e sonhos perdidos com a mesma eficiência.

Perfumam nossas infâncias com um toque de lavanda... ou estragam nossas meias quando ásperas...

Arrumadas, obsessivas; desarrumadas, rebeldes... Solitárias... Umas sobre as outras, lado a lado, únicas, muitas... Pintadas, forradas, envernizadas, recuperadas... abandonadas, servem de ninho para inúmeros desesperos...

Como seria se trocassem conteúdos?

Mais vezes acumulam inutilidades do que propriamente soluções para nossas rotinas insanas. Papel, metal, plástico. Segredos, perfumes, bugigangas de todas as idades...

E não tente esvaziá-las. Recuperam o conteúdo em pouco tempo, mais ou menos como os humanos, que recomeçam incessantemente suas novidades.

Somos gavetas esquecidas quando trancamos nossas chaves num absurdo comércio de idéias e prazeres efêmeros.

Mais vale uma gaveta vazia à espera de bom uso, do que uma cheia de quinquilharias arrogantes.

Tarefa de um abrir e fechar de gavetas: cheia ou vazia?

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