sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Antes da batalha...

Nos filmes, cada rosto exibe suas peculiares lembranças. Rugas, vincos, juventude seqüestrada, amores em luto... em todos a esperança, quase diáfana, do retorno.

O velho sargento torturado pelas dificuldades morais é sempre o símbolo da resistência. Exceto morrer, sobreviver é tudo que lhe resta.

De outro ângulo. Generais e suas bestas marciais ao redor de mapas - tão informados estão da estratégia, quanto a formiga de seu destino diante do tamanduá. Lutar é preciso, vencer é dúvida. Daí o soldado inconformado e suas lágrimas represadas.

A farda se transforma em mortalha. O fuzil jamais terá o peso da crença que o move. O cheiro de sangue que lhe invade as lembranças é o fim de uma metáfora.

Tudo isso nos filmes.

Agora mesmo, lá fora, as bestas marciais se travestem. Trocam capote e capacete por cargos e legendas. Politizam meu direito ao não, cavando profundas trincheiras estranhamente denominadas votos. O que deveria me proteger me soterra. Democraticamente.

"Ao meu comando! Fogo!!" Imobilidade. Patriotismo. Civismo. Orgulho. "Fogo!" Morte iminente. Incerteza. Guerra aberta. Horror.

Quem vê um pavilhão tremulando não entende quanto daquele instante representa a chance de merecida vitória. Conquistá-lo é um dever cívico. Ontem, tiros e baionetas. Bombas e covardes.
Hoje, digna ação. Indignação. Ação. Reflexão.

Nova batalha se aproxima. O gosto inenarrável do desconhecido se apresenta na boca ressecada. As ordens se confundem enquanto as hordas avançam impetuosas. Não existe plano de fuga. Proteja-se a tempo. Agora é real, os filmes ficaram na memória com seus finais quase felizes. Bandidos e mocinhos, todos neblina da história.

Batalhas decidem guerras. Escolhas ratificam desejos.

Tarefa do mês: pense!

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